quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Traição “acontece”?

Antes de trabalhar na Globo eu era repórter da Sou+Eu!. Tenho um carinho especial pela revista até hoje e, sempre que posso, acompanho as histórias que pintam por lá. E, ontem, vi no meu facebook o link de uma história muito bizarra. Uma moçoila que transou com o noivo da melhor amiga, não se arrepende e diz que faria tudo de novo. E tem mais: saiu com um sorrisão daqueles na foto que foi publicada junto com a matéria. Pode isso, Arnaldo?
Claro que fui ler os comentários das leitoras e, para minha surpresa, a dona da história não foi totalmente rechaçada. Teve gente que defendeu a moça, disse que já fez igual e, com a maior cara lavada do mundo, usou como argumento chavões como “ninguém manda no coração” ou “aconteceu”. Mas gente, será que traição “acontece”?
Para mim – e eu reconheço que sou muito intolerante quando o assunto é traição – não acontece, não. Precisa querer, dar brecha. Não tem essa de “eu não queria, mas acabou rolando”. Se rolou, filha, é porque você quis, sim. Colocou o tesão na frente da amizade e isso é coisa de gente que não tem caráter. Nem valores.
Mas isso é só a minha opinião, né? Que, graças a Deus, é compartilhada por muita gente. Outro dia mesmo eu estava falando disso com uma amiga e ela me contou que uma vez se sentiu extremamente atraída pelo marido de uma amiga dela, que era um gato. Sabe o que ela fez? Se afastou. Evitava qualquer circunstância em que tivesse de ficar sozinha com ele, qualquer situação que pudesse propiciar proximidade. E sabe que a traição nunca “aconteceu”? Pois é...
Pensando sobre esse assunto, eu lembrei de uma cena de Love Actually (que eu adoro!!!), em que o personagem passa por essa mesma situação: se apaixona pela mulher do melhor amigo. E faz a coisa certa.
E vocês, o que pensam sobre isso? Traição “acontece”?
Beeeijos,

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Banheirinho salvador

Um dos meus maiores medos de ter um cachorro em apartamento era o xixi fora de lugar. Culpa no Nero, o cachorro mais burro - e mais lindo! - do mundo, que atormentou a minha vida cinco anos atrás. Eu levava o peste passear 4 vezes (isso mesmo, 4 VEZES!!!) por dia e ele não fazia absolutamente nada. Era pisar na lavanderia e xáaaaaaa, mijo pra todo lado! Depois ele criou gosto por fazer xixi na porta do elevador sempre que a gente voltava da rua e, após um ano deste tormento, resolvi que ele tinha que ir embora. Não foi fácil, mas dei o Nero para alguém que morava em casa e poderia lidar melhor com as teimosices do menino.
Com esse passado traumático, fiquei morrendo de medo do novo filhotinho fazer a mesma coisa. Então, comecei a perguntar a todo mundo que tinha cachorro os segredos para ensinar o bichinho a fazer xixi no jornal. A dona do canil me deu algumas dicas, outras pessoas também. Mas a solução para os meus problemas veio do Miura, meu amigo de longa data e que adora animais. Ele me indicou o banheirinho higiênico. Gente, que maravilha! O cachorro faz xixi num tablado de plástico vazado, o xixi desce para o jornal e não suja as patinhas! Além disso, é super-higiênico, porque o xixi fica preso na bandejinha e não vaza no chão. Dêem uma olhada nessa maravilha!
O Hachi gostou da ideia logo de cara e desde que mostrei o maravilhoso artefato gênio, ele nunca mais quis outra coisa. Claro que faz só uma semana que ele está com a gente, ainda é cedo pra dizer se aprendeu mesmo que ali é o lugar do xixi. Mas até agora ele só fez lá, sem erro nem estresse. Ai, ai, menos um obstáculo. Agora preciso encontrar um jeito do Hachi comer enquanto a gente está fora. Anda fazendo charme e só come quando estamos lá... Temperamental o cão. rs

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Meu bebê

Calma, calma, não criemos pânico! Eu não estou grávida, pessoal. Mas ganhei um filhinho de quatro patas lindo, lindo. Com vocês, Hachi!

Foi meu presente de 1 ano de casamento, não é demais? E o nome - antes que vocês pensem que foi inspirado nos palitinhos de comida japonesa - veio do filme Hachi, que nós adoramos.
Ele chegou há uma semana e mudou totalmente a nossa vida. Para melhor! Fazia muito tempo que eu queria um cachorro, mas esperei até que o Danilo se animasse com a ideia, porque um cão é mesmo como um filho, precisa de atenção e carinho, e todos da casa devem estar de acordo.
Enfim, agora nossa família tem um novo membro e está muito mais feliz!
Sempre que tiver um tempinho, vou contar as aventuras do pequerrucho por aqui e também dar dicas que facilitem a adaptação do filhotinho ao novo lar.
Ah! E quem tiver dicas interessantes, por favor escreva! Vou precisar...rs
Beijocas,

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Unidas na cozinha!

Ontem eu estava com uma preguiiiiiça de cozinhar... Daí, lembrei de uma quiche que comi na casa da Maria e que estava uma delícia. Liguei.
- Ma, de que marca era mesmo aquela quiche delícia que comi na sua casa aquele dia?
- Então, era do Olivier Anquier, mas não é fácil de achar, não é em todo Pão de Açúcar que tem. Mas olha, a da Sadia também é bem boa, viu?
Corri pro supermercado e realmente só tinha a da Sadia. Comprei, e adorei. Resolvi o jantar em meia hora. Sucesso! E daí fiquei pensando nas minhas amiguinhas salvadoras que me ajudaram a pilotar o fogão desde que fui morar com o Dan, há três anos.
A Lygia me ensiou um bolo salgado “receita de dona Herta” que é uma maravilha, do tipo mistura tudo e joga no forno. Simples, prático e o melhor, impressiona.
A Dani Almeida cozinha bem pra caramba e me deu uma receita de risoto de queijo brie com linguiça que virou minha especialidade. Além de fazer uma moral com o então namorido no nosso primeiro dia dos namorados morando juntos, é campeã de pedidos de amigos e familiares lá em casa.
A Dani Torres me deu a receita do bolo de chocolate delícia que ela sempre faz e resolveu a minha vida quando quis presentear a Claris no aniversário dela. Não ficou tão bom quanto o da Dani, mas foi meu primeiro bolo, vá? Mereço um desconto.
Eu também arrisco algumas invenções e super passo pra frente. Tem meu macarrão com abobrinha que é sucesso (e que semana passada ganhou uma versão gourmet que encontrei no blog da fofa da Rê Gallo); minha pasta à bolonhesa, aprendida com a Gaia, uma fiorentina da melhor qualidade; tem minha mousse de chocolate...
Huuummmm, me deu uma fome... vou sair pra almoçar. E o tempero vai comigo. Bora, meninas?

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Quero ser rica

Amiguinhos, a vida não tá fácil e tomei uma decisão importante: quero ser rica!
Para isso, tenho repetido diariamente um mantra que aprendi com a Debora, que trabalha aqui comigo. Não dizem que para ser promovida você precisa se vestir como se já estivesse no cargo que deseja? Então, para ser rica, é preciso acreditar. E como eu sou uma pessoa maravilhosa, caridosa e que não quer subir na vida sozinha, divido com vocês o meu maravilhoso mantra.



Vamos lá, todo mundo gritando! EU SOU RICAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

É só um piano

Quando eu tinha uns 7, 8 anos, minha mãe me matriculou em uma aula de musicalização. Ela achava importante que eu tivesse contato com vários instrumentos antes de escolher o que eu quisesse tocar (sim, porque, nas palavras de dona Marcia, “tocar um instrumento é fundamental para o desenvolvimento das crianças”).
Logo de cara me apaixonei pelo piano. Meu pai me deu um tecladinho para me enganar, até ter certeza de que eu realmente continuaria as aulas. Mas depois não teve jeito, teve que comprar um piano de verdade. Ah, que alegria! Ele era a coisa mais linda do mundo inteiro. Enooooorme para os meus 1m e pouquinho. Uma coisa!
Fiz aulas até uns 13 anos e depois desisti. Tudo culpa de uma professora com pedagogia de menos e grosseria de mais. Mas a paixão pelo instrumento continuou e sempre que podia, tocava um pouquinho.
Voltei a fazer aulas já adulta, mas acabei abandonando por falta de tempo. E ele ficou lá, enfeitando a sala de casa. Vez ou outra eu aparecia, arriscava algumas notas, e ia embora novamente. E apesar de nos últimos dois anos e meio eu quase não ter mexido nele (fui morar com o Dan e o piano ficou na casa dos meus pais), sabia que o piano era meu, só meu. E que um dia eu voltaria a fazer aulas e a tocar aquelas teclas que eu tanto amava.
Mas a vida nem sempre é como a gente sonha, né? Meus pais se divorciaram, venderam o apartamento, e o piano teve que sair junto com a mudança. Eu me fiz de durona, banquei a prática. Acertei tudo com uma loja de instrumentos musicais por e-mail e fui fechar negócio pessoalmente no sábado.
Estava tudo certo até eu precisar entregar a nota fiscal e a garantia – que eu guardava havia 18 anos – para o vendedor. Deu um aperto no peito, os olhos marejaram. Ele percebeu (que vergonha!), mas eu fui saindo de fininho, respirei fundo e me recusei a chorar. “É só um instrumento”, repeti pra mim mesma da loja até a minha casa.
Hoje o pessoal da loja foi até a casa da minha mãe para buscá-lo. Pensei em dar uma passadinha lá ontem à noite para me despedir, tocar aquela meia dúzia de músicas das quais ainda me lembro. Mas preferi evitar o drama. Afinal, é só um piano. É só um piano. É só um piano...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Manual do convidado

Minha cunhada casa agora em setembro e, acompanhando os preparativos dela, lembrei de quando era eu quem estava cansada, estressada e de saco cheio de escolher florzinha, embalagem de bem-casado, menu... Mas se você pensa que os fornecedores são o maior problema das noivas, está muito enganado. Com eles podemos ser sinceras, dar esporro, dizer que se não fizerem como querermos, não vamos pagar. Mas e os convidados? Como lidar com pessoas que não têm a menor noção de quanto custa fazer uma festa de casamento e de como é difícil organizar tudo quando a grana é curta, fruto do suor do nosso trabalho?
Então, para ajudar você, convidado e/ou parente sem noção, a não deixar ainda mais difícil esse momento pré-casamento, resolvi fazer um manual do convidado. Siga as dicas e ajude em vez de atrapalhar.

Respeite a quantidade de convites individuais: se com o seu convite vieram 2 convites individuais, isso significa que apenas você e mais uma pessoa foram convidados para a festa. E não, VOCÊ NÃO PODE LEVAR NINGUÉM A MAIS. Um buffet razoável não custa menos de R$ 80 por pessoa, ou seja, levar a família toda faz muita diferença para o bolso dos noivos.

A festa é dos noivos, não se intrometa: eu detesto ter família pequena, mas na hora do casamento foi uma dádiva. Sim, porque os parentes adoram meter o nariz (e no caso da italianada lá de casa isso seria um problema) onde não são chamados. A festa é dos noivos e, portanto, quem escolhe os convidados são eles, especialmente se a festa está sendo paga pelos dois. Aquela sua prima de terceiro grau que só viu a noiva na maternidade pode ser importante para você, mas não para a dona da festa. Então, não force a barra. Se quem não foi convidado reclamar com você (em uma demonstração clara de falta de noção, educação e bom-senso), diga simplesmente que a festa não é sua e que o número de convidados é restrito. Respeite a vontade dos noivos, por favor.

Confirme presença (ou ausência) pelamordedeus!!!: gente, quem casou sabe a importância de ter o número exato de convidados para planejar uma festa onde não falte e nem sobre comida e bebida. Claro que imprevistos acontecem, mas só confirme presença se você realmente estiver programado para comparecer. Não, não fica chato dizer que não vai ao casamento. O que fica chato é confirmar presença, não dar as caras e fazer os noivos pagarem a mais para o buffet, o fornecedor de bebidas e a decoração. Lembre-se: os valores são cobrados por pessoa e cada convidado faz diferença.

Os presentes são para os noivos, não para você – parte I: respeite a vontade dos noivos e compre o que foi pedido na lista. Não é você quem tem que gostar da cor do edredom, são eles. Você até pode comprar algo fora da lista, mas saiba que 90% dos noivos vão trocar o presente. Porque, afinal de contas, a casa é deles, né? E quem sabe o que fica bonito ou não são eles. (A exceção, nesse caso, fica para os amigos muito próximos, que conhecem bem os noivos e encontram presentes únicos e maravilhosos, como o vaso exclusivo e liiiiindo que a Thatá me deu, os castiçais de cristal escolhidos pelo Pelado e também o jogo de colherinhas de prata rebuscadíssimas do Cabeção. Nesses casos, presentes fora da lista são um charme!).

Os presentes são para os noivos, não para você - parte II: se os noivos pediram cotas de viagem, respeite. Nada de querer ver o seu presente na casa deles, ou querer que eles se lembrem de você cada vez que olharem para o conjunto de assadeiras Tramontina. Não interessa se você acha sem graça dar dinheiro. O importante é o que os noivos acham e precisam. Lembre-se de que o casamento é deles e as necessidades também. Quando for o seu casamento, você escolhe o que quer ganhar, ok?

Quem escolhe as músicas são os noivos, não insista: qualquer DJ que se preze consulta os noivos para saber quais estilos musicais devem tocar durante a festa e quais estão proibidos. Se os noivos não querem axé, não insista. E nem pense em reclamar com eles sobre a trilha sonora durante a festa. Além de ser inconveniente, é muita falta de educação.

Não ataque a mesa de doces antes do jantar: nem sempre a tática de colocar o bolo na mesa dos doces funciona para afastar os esfomeados. A falta de noção não tem limites, minha gente! Veja bem, a mesa de doces faz parte da decoração. Se você comê-los antes do jantar, as fotos vão ficar horríveis e o álbum dos noivos com cara de festa na favela. Os doces não vão fugir, pode acreditar. Nem os bem-casados. Tenha paciência e educação. Os noivos e os fotógrafos agradecem.

Não critique: esse é o último tópico, mas não menos importante. Não saia falando mal da festa. Cada um faz o que pode, como pode, e o mais importante é a felicidade dos noivos na realização desse sonho que é a festa do casamento. Mais uma vez, quem tem que gostar da festa e aproveitar ao máximo são os noivos, com a sua colaboração. Compartilhe da alegria deles, torça para que tenham uma vida de muito amor, dance mesmo se a música não for a sua favorita. Guarde para você as coisas de que não gostar. E quando chegar a sua hora de casar (ou da sua filha/filho) você faz diferente.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Não tem graça

Estou muito triste, de verdade. Angustiada mesmo. Porque perdi as esperanças de que o Brasil um dia vá endireitar. Bastou assistir um pouquinho do horário eleitoral para me sentir uma palhaça de circo. E da pior qualidade. Tiririca, Kiko do KLB, Mulher Pêra... Ah, mas isso sempre foi assim. Não me interessa, cansei! Cansei dessa falta de respeito com a população, de a política ser tratada como brincadeira, como um caminho para enriquecer ilicitamente – e às nossas custas! De verdade, estou com um aperto no peito que dá até vontade de chorar. Porque eu sei que, por mais que eu me esforce, não posso fazer nada para mudar o quadro. Tenho que votar em quem está concorrendo e torcer para que as coisas não piorem ainda mais. Posso fiscalizar depois, cobrar. Mas de que adianta? Denúncias não faltam, escândalos também. E a verdade é que nada é feito nunca para acabar com a bandalheira do Congresso Nacional.
Não manjo muito de política, não é a minha praia, mas não precisa ser nenhum cientista político para perceber que a coisa descambou. É culpa nossa? Também. Porque o brasileiro é muito passivo, não se manifesta para nada. Não reage. Talvez por achar que nada vai funcionar, talvez por preguiça, talvez... E essa passividade me dá vergonha. Muita vergonha.
Daí, vejo todas as revistas atacando a Dilma pelo seu passado contra a ditadura militar, como se isso fosse alguma falha de caráter! Não defendo a luta armada, mas é preciso analisar o contexto político da época, o sucesso da revolução cubana naquele período, a esperança de recuperar a liberdade a todo custo. Lutar contra a ditadura – com arma ou sem arma – deveria ser motivo de orgulho, não de ataque. Mas até a própria Dilma renega o passado e finge que nada aconteceu. Não dá para entender.
Não, eu não vou voltar na Dilma, mas a guerrilha não é o motivo. Pelo contrário, seria uma razão para eu votar nela, não fossem minhas outras ressalvas – que são muitas. Diz aí quem nunca quis jogar uma bomba no Congresso Nacional para ver tudo voando pelos ares? Quem nunca quis viver um dia de fúria, sacar uma metralhadora e fazer justiça com as próprias mãos? Eu bem queria me apropriar das contas do Maluf e usar a grana suja para construir escolas, melhorar o salário dos professores, dar uma remuneração decente aos médicos do sistema público de saúde. Quem não gostaria?
Fico admirada por as pessoas ainda acharem que quem lutou contra o regime é bandido. Bandidos eram os militares! E bandidos são os políticos que comandam o Brasil hoje. Isso sim é motivo de vergonha. Roubar dinheiro do povo, prometer e não cumprir, cobrar impostos absurdos e não aplicar em melhorias. Rir da cara de 190 milhões de pessoas todos os dias, na certeza de que a punição nunca virá. Isso é ser bandido, isso é motivo de vergonha.
Eu sempre fui defensora do Brasil, sempre achei que era um país promissor. Não acho mais. E não sei se quero que meus filhos cresçam aqui, governados por pessoas despreparadas, inescrupulosas, sem a menor vergonha na cara. O mundo é torto, eu sei. Já que não dá para mudar o mundo, posso pelo menos tentar ser feliz em outro lugar. Começo a pensar seriamente em abandonar o barco. Talvez seja só um desabafo momentâneo, sem maiores consequências. Talvez esteja na hora de começar a pensar em recomeçar a vida em outro lugar. E podem me criticar por isso, dizer que é por causa de pessoas como eu que o Brasil não vai pra frente. Sinceramente, eu não ligo. Estou cansada.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Descobri minha vocação

Amiguinhos, momento infantil no blog! Há duas semanas rolou uma festa à fantasia para comemorar o aniversário de um amigo querido, o Kadu. Eu e o Dan resolvemos ir de parzinho. Nossa ideia original era ele ir de Dengue e eu de Praga, mas foi impossível encontrar as fantasias. Aparentemente, os únicos que ainda se lembram desses dois somos nós...
Enfim, pensamos em várias alternativas, mas era tudo muito caro e sem graça. E a gente queria mesmo era ir bagaceira na festinha, porque aquele tempo em que eu saía por aí de barriga de fora, vestida de odalisca, não volta mais...rs
Daí, descobri que o Dan tinha uma fantasia de Chaves na casa da mãe dele. Pronto! Liguei pra Amanda, minha eterna companheira de aventuras, e pedi a fantasia dela de Chiquinha. Meu, incorporei total! Pintei o dente de preto, ensaiei uns passinhos e descobri a minha vocação: ser cover da Chiquinha! Estou pensando seriamente em fazer isso nas horas vagas, para levantar uma graninha extra. Vocês não acham que tem tudo pra dar certo?


Atentem para o detalhe do dentinho. 


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O caminho do perdão

Eu tenho dificuldade para perdoar. Pronto, falei! Não só os outros, mas a mim mesma. Dizem que é do signo, mas não sei não. O que eu sei é que guardar mágoa no coração faz mal pra mim e mais ninguém. E ultimamente tenho sentido uma necessidade grande de ser mais benevolente, piedosa e caridosa com aqueles que me fizeram mal e também comigo. Como diz a minha reflexologista, em vez de só me cobrar, eu também preciso me abraçar de vez em quando. Eu sou humana e errar faz parte. E no fim das contas, todo mundo erra, né, gente? E quem sou eu para condenar.

A questão é que eu vim pra esse mundo com defeito e não consigo ligar a chavinha do perdão. Quer dizer, em alguns casos. Como ando refletindo muito sobre isso – até porque tenho buscado cuidar mais da minha espiritualidade e tentado ser uma pessoa melhor pra mim e pro mundo – percebi que eu já perdoei muita gente, e de verdade. Deixei pra lá desaforos estratosféricos e acreditei de todo coração que as pessoas podem mudar e mudam mesmo. Não me decepcionei.

Então, fiquei intrigada. Como é que funciona o MEU mecanismo do perdão? Por que consegui perdoar falhas graves com facilidade e outras, tão graves quanto, não? Não sou uma pessoa inflexível, não busco vingança, acho que tenho um gênio bom. Então, por que raios não consigo perdoar certas coisas? Lendo uma matéria sobre o assunto agorinha, acho que encontrei a resposta. Em todos os casos em que não fui capaz de perdoar faltou arrependimento, um pedido de desculpas sincero, a promessa de que aquilo não se repetiria jamais, nem comigo nem com ninguém. E na matéria vários especialistas dizem que isso é mesmo importante para que o perdão seja sincero e verdadeiro.

Descoberta interessante, hein? Sabe que fiquei um pouco mais leve? Eu não conseguia me perdoar por não perdoar quem me fez mal. Maluco isso, né?

Mas acho que mereço uma trégua. Está na hora de ser mais benevolente comigo mesma e de me perdoar por não ser perfeita, por sentir raiva de vez em quando, por não ser resignada como deveria. Será que eu consigo? Estou tentando. Já é um começo.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Aos meus amigos

Oi, gente! Sei que ando sumida, mas a vida anda corrida (rima rica é isso aí! rs) e vamo que vamo.
Seguinte, hoje recebi uma reclamação da minha amiga-irmã-amada Dani Torres. Ela, que nunca teve papas na língua, está grávida e fala tudo que vem à cabeça. Tá impossível! E me deu uma bronca porque eu nunca mais escrevi no blog. Eu disse que andava meio sem assunto... Sabe como é, fiz 30 anos, nada mudou...
Maaaas, percebi o que Dani tchuca de mi vida queria. Ela queria um post-homenagem, pessoal! Porque hoje é o Dia Internacional do Amigo.
Então, este post vai para a Dani e para todos os meus melhores amigos que, como ela, me fazem sentir especial todos os dias.

Eu sempre ouvi dizer que os amigos de verdade a gente conta nos dedos de uma única mão, mas comigo não foi assim. Eu tive a sorte de encontrar pessoas maravilhosas no meu caminho desde pequerrucha (a Kaka, minha amiga mais antiga, eu conheço há 25 anos), e que continuam no meu caminho até hoje.
- Tem a turma do Rosário, que me conhece do avesso e que nunca, nunquinha me deixou na mão. São os irmãos que eu escolhi, os que sei que nunca vão me abandonar, mesmo quando eu estiver velhinha, carcomida e chata pra diabo.
- Tem as queridas da PUC, que chegaram mais tarde, mas ganharam igual espaço no meu coração. E que seguraram altas barras do meu lado e que fizeram cada segundinho da faculdade e do que veio depois valer a pena.
- Tem as tchucas da Abril, as que me deram mais força quando meu coração estava em frangalhos com a saudade do Dan, que me ouviram chorar quase todos os dias, e que me ajudaram a rir nos piores momentos (na maior parte do tempo elas riam é de mim - fazem isso até hoje - mas eu não ligo. É bom fazer os amigos rir! rsrs).
- Tem as japinhas da Globo (a Dé é loira, mas tem alma japa), que estão do meu lado todos os dias (fisicamente e também para o que der e vier!), ouvem minhas reclamações, riem das minhas piadas e fazem o meu dia a dia muito mais feliz.
- Tem os amigos distantes, os que moram do outro lado do mundo, mas dos quais me lembro todos os dias. Pode ser piegas, mas para o amor não tem distância, né? E estes, os que moram do outro lado do oceano, eu amo como se fossem família, em especial uma delas, a Rita, de quem eu lembro todos os dias da minha vida e sinto uma saudade que nem dá pra explicar.
- E tem os amigos da vida, aqueles que conheci aqui e ali, no trabalho, no clube, nas viagens, e que carrego comigo sempre, mesmo que nos vejamos pouco, que a rotina não nos deixe tempo para colocar as conversas em dia. Tenho cada um deles no pensamento e sei que, se eu precisar, basta um telefonema para que eles corram ao meu encontro. É só chamar.


Enfim, para vocês, meus amigos amados, o meu obrigada. Obrigada por me amarem todos os dias, por estarem ao meu lado sempre, por compartilharem comigo o sentimento que considero mais precioso entre os seres humanos: a amizade.
Para vocês, uma musiquinha fofa - meio batida, é verdade - que eu adoro e que tem tudo a ver com esse post-homenagem.
Amo muito cada um de vocês!
Beijos e mais beijos,
Dani.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Os 30

Adoro fazer aniversário e fico ansiosa para receber os parabéns e os abraços (adoro ganhar abraço!) dos amigos queridos. Mas ontem à noite me bateu um friozinho na barriga diferente. Certeza que foi por causa dos 30 anos. Eu sei que isso é uma besteira, que nada muda efetivamente, blá blá blá. Mas fiquei com medinho, ué! E daí? Me apressei mesmo para dormir antes da meia-noite. Vai que dá um revertério e eu me transformo em sei lá o quê? Melhor aproveitar o sono dos justos.
Mas hoje de manhã acordei e vi que nada mudou. Tá bom, tá bom, eu corri para me olhar no espelho logo que levantei. Só uma espiadinha, pra confirmar que estava tudo em seu devido lugar. Ufa! Sem novidades. Depois, dei uma geral no corpitcho antes de entrar no banho e sabe o quê? Ainda tá tudo em cima, viu? Ganhei uns quilinhos nos últimos meses, mas no geral até que estou ok. Vi de novo os meus fios brancos (sei que reclamar deles está ficando repetitivo, mas continuo sem coragem de usar tinta...) e até fiquei aliviada. Aparentemente, eles são os únicos sinais visíveis de que saí dos 20 e poucos. Até as espinhas continuam dando as caras por aqui! Sinal de que ainda tenho hormônios adolescentes. Ou não... rs
Ou seja, no fim das contas, nada mudou realmente de ontem pra hoje. Acho que a mudança de verdade começa agora. Segundo a Vera Ligia, que trabalha comigo aqui na redação, “os 30 até os 40 são os melhores anos da vida de qualquer mulher. A carreira deslancha, os filhos chegam, o sexo fica muito melhor e estamos muito mais maduras para não sofrer por qualquer coisa, como nos 20 e poucos anos”. Então, se é assim, bora comemorar, né? Parabéns para mim, nessa data querida. 30 anos... a vida passa mesmo voando.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

As minhas copas

Ontem estava lendo um dos meus blogs favoritos, o Mulher 7x7, e me deparei com um texto delicioso da Martha Mendonça, intitulado “As copas da minha vida”. Achei bacana a ideia de entrelaçar a história das copas com a história pessoal dela e comecei relembrar as minhas copas. Foram 7 até agora. Esta é a oitava.
Em 1982 eu tinha apenas 2 anos, ou seja, não me lembro de nada.
Na de 86 já tinha 6, mas a única coisa de que me lembro é que meu primo casou em dia de jogo da seleção e meu pai e meu irmão, na época com 14 anos, ficaram fulos da vida, porque meus pais eram padrinhos, eu era daminha, e a gente não podia se atrasar.
Em 90 eu já era maiorzinha, mas sabe que não tenho grandes recordações? Nem lembro da escalação, pra falar a verdade. Vergonha, né?
Na de 94 eu estava na oitava série, jogava futebol no time da escola e o Palmeiras estava super em alta com aquele timaço da Parmalat. Ou seja, eu estava ligadíssima na copa. Eu e minhas amigas do colégio queríamos ver a final com os meninos do terceiro colegial e comemorar com eles o tetra na Paulista. Mas nossos pais não acharam a ideia boa e acabamos vendo o jogo na minha casa e comemorando por lá mesmo...rs
A copa de 1998 marcou a minha vida. Nessa época eu era louca por futebol, tanto que levei o bolão da copa na faculdade de jornalismo, onde entrei porque queria ser repórter de campo. Já estava tudo definido na minha cabeça, mas a copa mudou o rumo das coisas. Aquela história da convulsão do Ronaldo, somada à apatia do time na final, os fatos desencontrados, tudo aquilo me fez perder o gosto pelo futebol e, mais ainda, desconfiar da seriedade da copa do mundo, da Fifa e da CBF. Meio radical, eu sei, mas naquela época desisti total de torcer.
Na de 2002 eu tinha voltado a acompanhar todos os jogos do Palmeiras e a torcer pelo verdão, mais para provocar meu namorado na época, que era corintiano, do que por amor ao futebol. Acho que nunca me recuperei totalmente da desilusão de 1998... Os jogos foram de madrugada, então, acho que não os assisti com amigos, essas coisas. Mas lembro que a final foi divertida, reunimos uma galera e vibramos com a penta. Todo mundo encheu a cara, foi aquela alegria.
2006 foi, com certeza, um ano determinante na minha vida pessoal e profissional. Foi nesse ano que conheci, me apaixonei e comecei a namorar com o Danilo (que graças a Deus é santista, meu segundo time do coração!) e comecei a trabalhar na Abril, que era o meu objetivo profissional na época. Entre o começo de namoro e o emprego novo, copa do mundo. E a lembrança que ficou na minha memória dessa copa foi o feriado de Corpus Christi que passei com o Dan em Penedo. Assistimos a vários jogos juntos, claro, mas não sei por que não consigo me lembrar de nenhum...rsrsrs
E ontem o Brasil estreou na copa de 2010. Assisti ao primeiro jogo da seleção casada, na sala da minha primeira casa própria (financiada em 30 anos, mas quem se importa?). Nem me decepcionei com o resultado de 2x1 contra a Coréia do Norte, porque não esperava mais que isso dessa seleçãozinha mequetrefe do Dunga. Mas quando o jogo acabou, fiquei pensando que essa copa de 2010 é a copa dos meus 30 anos. A copa em que deixo para trás o treino tático desses 29 anos e entro em campo para disputar pra valer os jogos da vida adulta. Se o Brasil vai passar para a próxima fase eu não sei. Mas a minha estreia com o pé direito no time das balzacas já está marcada para o dia 23/06. Que seja uma goleada!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mico sobre rodas

São Paulo fica uma delícia no feriado, né? Cidade vazia, sem trânsito, Ibira deserto... Então, eu e o Dan resolvemos tirar os patins do armário e nos aventurar na marquise do parque. No caminho, ficamos lembrando de quando passávamos tardes inteiras patinando na Bad Wolf e de como éramos habilidosos sobre as quatro rodinhas. Ah, tá!
Os sinais do tempo começaram a aparecer logo na hora de vestir os patins. Os meus estavam intactos, já os do Danilo, afe! Colocou uma fivela e “plac”, quebrou. Apertou outra, e “plac”, de novo! Os patins foram se desintegrando e, no fim das contas, não sobrou uma fivela pra contar história. Eu já queria desistir, achei que era um sinal de que um dos dois (ou os dois!) ia se estropiar na primeira patinada. Mas o Dan não se intimidou: tirou o cadarço do tênis e amarrou os patins do jeito que deu. Lá fomos nós...
Eu até que andei direitinho, viu? Continuo com o mesmo problema de não saber brecar, mas fora isso até que fui bem. O Dan teve mais dificuldade (além das travas quebradas, as rodinhas dele estão por um fio) mas no fim pegou o jeito e deu até uns rodopios bacanets. Andamos pra lá, pra cá, maior categoria! Quando olho, tá lá o Danilo sentado no chão, descansando. Daí a pouco aparece um casal com uma filhinha de uns 9 anos. Fui lá xeretar. Os caras queriam saber se era fácil andar de patins com a nossa idade. NOSSA IDADE? Como assim? Eles já estavam bem é perto dos 40 e foram pedir conselho pra gente? Depressão, vá?
Como se não bastasse, tinha uns caras de uns 20 e pouquinhos patinando superbem e o Dan resolveu perguntar onde poderia mandar arrumar os patins dele. A resposta? “Ah, tio, melhor comprar um novo. Esse seu não tem jeito, não, é muito velho...” A gente se olhou e nos demos conta de que o tempo realmente passou para nós dois. Apesar de acharmos que somos bastante jovens e que não aparentamos os 30 anos que estão para chegar, estamos mais velhos, sim, e as pessoas percebem isso. Mas sabe o quê? Eu acho o máximo estarmos chegando aos 30 com alma adolescente, com vontade de andar de patins no parque, de fazer palhaçada, de nos divertir com brincadeiras bestas, de tomar chocolate quente nos dias frios, como aqueles que as nossas mães faziam quando ainda éramos crianças. Estamos maduros pra encarar as buchas da vida adulta, mas conservamos o espírito jovem, quase infantil, para aproveitar o que ela tem de melhor: a diversão. As dores no corpo no dia seguinte, as fisgadas nas nossas hérnias de disco e nos meus bicos-de-papagaio são meros detalhes...rsrsrs
Ah! Prometo que na nossa próxima aventura sobre rodas vou tirar fotos e postar aqui. Ou melhor, vou fazer um video! Porque aposto que tem gente aí que não está acreditando nas nossas habilidades de patinadores profissionais. Esperem e verão!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

As bizarrices continuam...

Acharam que eu estava mentindo, né? Não, meus queridos, eu realmente recebo releases bizarros diariamente. Este de hoje nem precisa de comentários. É uma daquelas maravilhas que falam por si sós...rs
Beijão pra vocês e ótimo fim de semana!

Regime nunca mais!
Chegou o Alargador de Calça na Utilplast

O alargador de calça é um produto importado com exclusividade pela Utilplast.
Além de ser imprescindível após o final de semana, o churrasco em família, a festa do sobrinho ou a ceia de natal,o alargador de calça é uma ótima opção para as peças que encolhem na secadora.

Preço: R$ 124,90 (Beeem mais barato que uma lipo, diz aí? rsrsrs)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Balzacas na moda

Nunca fui ligada em tendências de moda. Aliás, detesto shopping e compras em geral. Sou meio muquirana, na verdade. Mas sempre tive senso de ridículo. Desde muito pequena, sempre ouvi minha mãe me dizer uma frase que ela ouviu do grande educador Paulo Freire: “Ninguém tem o direito de enfeiar o mundo”. Condordo. Então, apesar de não ser nem de longe uma mulher fashion, eu sempre tive a preocupação de me vestir de acordo com a ocasião e a idade. Só que o que antes caía superbem, hoje em dia fica meio ridículo.
Por exemplo, outro dia eu tinha uma baladinha e provei uma blusa que fez o maior sucesso nos meus tempos de faculdade, toda aberta nas costas, barriguinha de fora... um horror, né! Mesmo que eu estivesse na minha melhor forma, vamos combinar que esse visual só não parece vulgar em menininhas de 18, 19 anos. Então, resolvi fazer uma rapa no meu armário e vi que tem várias coisas lá que não ornam mais... especialmente minhas blusinhas de surf, ultrajustas e curtas.
Enfim, fiquei meio perdida, sem saber o que vestir nessa nova fase balzaca, e resolvi pedir uma consultoria completa para a produtora de moda e amiga do peito Mimi Kimura. A resposta: “Amiga, te acho uma raridade no planeta...rs Pois a grande maioria das mulheres não tem essa preocupação em mudar o jeito de se vestir depois que completam os 30 anos. Mas acho ótimo!!! A mulherada perde um pouco a noção e se veste como meninas de 15 anos ou senhoras de 50”. Viu como a minha preocupação tem fundamento?
A Mimi também achou que minhas blusinhas de surfistinha devem ser abandonadas para ontem! (Ai, que dor no coração! Eu tenho apego, gente!) Elas, roupas muito justas, que de tãaaaaao justas até marcam a linha da calcinha e blusas decotadas e curtas ao mesmo tempo. Lá se vai boa parte das minhas roupitchas... Mas tudo bem, eu aceito. Até porque as minhas calças de cintura baixa (que eu AMO!) podem continuar na ativa. Né, Mimi? “Éeeeeeeeeee, Dani. Você não precisa parar de usar as calças de cintura baixa, elas continuarão sendo muito úteis, desde que combinadas com blusas bacanas e mais compridinhas.” Eu sabia! “Mas se vc quiser apostar num modelo mais alto e discreto, lojas como a Siberian, Gregory, Cori e Luigi Bertolli possuem grandes opções de modelos e lavagens, e todas com uma cintura intermediária que cai muito bem. Os grandes magazines (Renner, C&A, Marisa, Riachuelo) têm suas linhas próprias para cada tipo de mulher. Dê uma olhada lá também.” Ouviram, meninas? Dá pra se vestir bem gastando pouco!
Agora, deixando de lado o meu estilo específico, a Mimi deu dicas para as balzacas de todas as tribos se vestirem bem e de acordo com a idade. Anotem aí!

Nessa idade, algumas mulheres já viraram mamães e precisam de algumas mudanças práticas na nova rotina. Ex: saltos mais confortaveis (ela dificilmente usará um salto agulha para ir a uma festa, pois em algum momento terá que segurar o filho no colo ou sair correndo atras dele).
Aposte sempre em sapatos de salto mais grosso, que sustente, e use todos os tipos de sapatilha. No inverno, botas de salto baixo a médio são bem-vindas.
Uma boa dica para quem não tem dó de gastar com sapatos é investir nos modelos “selo de controle” vendidos em lojas multimarcas. Eles são mais baixos, confortáveis e fofos. Não cansam e têm um design supermoderno.
Além dos modelos comfort flex (para mulheres que se preocupam muito mais com conforto do que com design, já que eles não são muito modernos). Você encontra esses modelos das marcas Piccadilly, Via Marte, Dakota.
Outra dica é investir em camisas, pois são atemporais e podem ser usadas em qualquer ocasião: almoço, passeio no shopping, jantar, reunião... Podem ser coloridas, estampadas, listradas, com lycra... Os modelos mais acinturadas deixam a mulher mais bonita e elegante. Mas existem também alguns modelos mais larguinhos (às vezes até parecem batinhas) que são descontraídos e ideais para os dias mais tranquilos. E se esfriar ou você precisar correr para um evento mais chique, acrescente um cardigan, um colete ou uma jaqueta/casaco.


Abuse dos vestidos, mas fuja dos supercurtos, mesmo que você tenha um ótimo corpinho. Compre modelos soltinhos, estampados... e combine com cintos. Eles podem ser finos, para marcar a cintura, ou mais largos, para segurar o caimento e dar um charme.
Os vestidos ficam ótimos quando combinados com meia-calça. Se for básico, abuse de meias descontaídas e coloridas: listrada, azul, cinza, vinho, rendada...





E quem não tem uma legging no guarda roupa? EEEEUUUUUU!!! Mas vou comprar, Mimi, prometo! Essa é outra peça bacana, confortável e acessível. É um curinga. A dica é: use a legging com peças que cubram o bumbum. Ex: camisas longas, blusinhas com casaquinhos de linhos, vestidos, trench coat. Dependendo do modelo e da cor, você pode usá-la na academia e no trabalho. Ou seja, é uma peça multi-uso! Pode e deve ser combinada com sapatilhas, saltos de todos os tamanhos e botas.
Muitas mulheres usam aqueles conjuntinhos de moleton. Eu até gosto dos modelos, mas somente para caminhar no parque ou fazer seu exercicio na academia. Eles são praticos, mas parecem pijama e dão a impressão de que acabamos de acordar e pegamos a primeira peça que encontramos no guarda-roupa. Então, fora do parque ou da academia, nem pensar! Invista em alguma produção, mesmo que seja um jeans e uma camisetinha básica.

Aproveite essa epoca tão fria do ano para invistir num casaco bacanudo. Daqueles que pagamos com gosto e que, com certeza, vão durar por muitos invernos. Ele fará toda a diferença no seu visual.

E como produção não existe sem acessórios, valorize seu look com um colar bacana, um brinco, uma pulseira... Mas não coloque tudo junto ao mesmo tempo agora! O menos é sempre mais.






Aprenderam, meninas?

Valeu, Mimi!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Da série releases bizarros

Ser jornalista tem lá seus perrengues mas, no geral, adoro meu trabalho. Mais ainda porque diariamente recebo uma série de releases de fazer xixi nas calças de tanto rir. As assessorias são capazes de maravilhas que só lendo para crer. E hoje resolvi dividir uma dessas pérolas com vocês. Sei que isso não tem nada a ver com o tema central do blog, mas um pouco de diversão gratuita não faz mal a ninguém, né não? Vejam só que coisa linda de se ler!

APÓS SEPARAÇÃO, DANI FRANCO COLOCA EM PRÁTICA PLANOS PARA REALIZAÇÃO DE SEUS SONHOS
Com 35 anos, três filhos e um corpo escultural, Dani Franco recomeça sua vida cheia de projetos
Primeiro de tudo, quem é Dani Franco? E por que raios EU, que edito uma revista de supermercado, recebi um release sobre a dita cuja???

Atriz, empresária e apresentadora do programa online Clube da TPM (www.clubedatpm.com), Dani Franco é uma mamãe de corpo escultural. (Ah tá, ela é atriz, apresentadora e empresária e, ainda assim, uma ilustre desconhecida. Isso sim é um talento e tanto...) Aos 35 anos, continua bela e em forma após o nascimento dos seus três filhos com o artista Moacir Franco (Moacir Franco, aquele Moacir Franco? Ai, Senhor...), João Vitor (16) e os gêmeos Domênico e Ana Helena (7).
Com muita energia e cheia de planos, a atriz revela os seus artifícios para se manter em forma. “Sempre gostei muito de esportes, desde meus 15 anos pratico exercícios físicos. Essa atitude me ajudou muito na profissão de atriz, além de fazer bem para o físico e mental”, garante Dani. (Poxa... meeeeeus parabéns!)
A atriz malha cinco vezes por semana, mesclando aulas de yoga, musculação, alongamento, squash, corrida e ainda separa um tempinho de seu dia para as aulas de salsa. Além de toda a malhação, compromissos profissionais, aulas de teatro e dança, ainda consegue ter um bom tempo para ficar com seus filhos.
Dani está vivendo uma nova fase e já começou realizando seus desejos escondidos em seus 20 anos de casada. (Opa, cutucada no ex-marido, hein? Fora que essa conta não tá batendo. A pessoa casou com 15 anos???) “Comecei fazendo uma tatuagem com as iniciais dos nomes de meus filhos e agora quero saltar de paraquedas, voar de balão, esquiar... enfim, vou acordar aquela Dani que adormeceu, sinto que é o momento de desabrochar. (É uma aventureira, praticamente a fera radical) Tenho vários planos para mim e para meus filhos”, diz a atriz.

Dani Franco está disponível para trabalhos como: editoriais, desfiles, eventos, sessões fotográficas, participações em programas de TVs e novelas; entre outros. (Se não fosse trágico seria cômico, né verdade? Eu ri a valer...)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Descobertas

Não dizem que a vida ensina? Pois é, falta pouco mais de um mês para os meus 30 anos e descobri que...

...ter cabelos curtos é tudo! Aquela juba não me pertence mais.

...é verdade que as mãos enrugam com o passar dos anos. E não é pouco.

...os quilos a mais não vão embora com uma dieta de dois ou três dias. Eles se acumulam se não rolar dieta + exercício. Saco!

...a celulite é para todas, não dá para fugir para sempre.

...os cabelos brancos se multiplicam com a velocidade da luz e não há tonalizante que dê jeito. Dá-lhe tinta!

...a gravidade não falha, minha gente.

...além do signo e do ascendente, a lua também influencia a nossa vida. E a minha é em escorpião (descobri hoje...rs). Medo!

...eu realmente não gosto de Legião Urbana. Nunca vou gostar.

...ter filhos e trabalhar fora é para as fortes (orgulho de vocês, amigas-mamães-profissionais!).

...detesto os filmes do Woody Allen.

...acredito no casamento.

...dinheiro é muito bom, mas não é tudo.

...família é tudo. Amor também.

...a vida sem cachorro não tem graça.

...todo mundo precisa de terapia.

...um quintal faz toda a diferença.

...a chegada de uma criança é uma bênção. Sempre!

...os amigos de verdade existem e são para a vida toda.

...as pessoas só dão aquilo que têm para dar (não estou falando de sexo, mas acho que também se aplica, né? rsrs).

...sempre terei Paris.

...o melhor lugar do mundo é a minha cama.

...sim, eu sou feliz.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Um dia de cada vez

Sou muito ansiosa, mesmo. Fora da medida, sabe? E não é de hoje. Além da Sandy, que outra criança teve gastrite de fundo emocional aos 11 anos. Eeeeu!
Pois é. E toda vez que passo por uma fase de dúvidas e incertezas, fico ainda mais ansiosa do que o normal, o que, convenhamos, só pode dar problema. E deu mesmo: estou com um mega-terçol no olho (é o terceiro em menos de um mês). Baixa imunidade, meu bem, totalmente emocional. Até o peixe que eu comi na segunda à noite me deu um revertério! Ok, ok, pode ter sido porque comprei o peixe naquelas bandejinhas do Extra (pobre é uma merda! rs), mas o Danilo também comeu e não sentiu nadinha.
Minha pele também está sofrendo com a minha preocupação excessiva. Não que ela tenha sido boa algum dia, não vou mentir aqui, mas deu uma piorada legal nas últimas semanas. E tudo por quê? Mania de controlar o mundo. Alguém explica pra essa cabeça de pudim que não se pode prever o futuro nem controlar todas as variáveis que o envolvem?
Ah, sei lá. Esse post é mais um desabafo que qualquer outra coisa. Sei que preciso viver um dia de cada vez, aproveitar o presente e deixar o futuro pra depois. Mas como é que eu faço isso? Vou começar agradecendo as coisas boas que estão acontecendo na minha vida neste exato momento. E depois vou aproveitar essas coisas boas, uma a uma, sem pensar em mais nada. Juro que vou! O futuro a Deus pertence, mas o agora é todinho meu.

Um beijo enorme pra minha reflexologista amada Luci. Ela sabe o porquê.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Ela nasceu!!!

Oi, gente!
A pequerrucha nasceu! Foi sexta-feira, dia 30, às 19h38. Enoooorme! 50 cm e 3,4 kg. Um tourinho, com perdão do trocadilho...rs
Eu estou supercoruja, ainda mais que vou ser madrinha, né? Aliás, estamos todos encantados. Tem coisa mais linda que bebê japa?
O nome é grande e forte, Maria Eduarda. Mas sei que a pequena vai honrá-lo todos os dias.


Ela não é a coisa mais linda do mundo?

Florzinha, sei que você não vai poder ler isso até ficar grandinha, mas vou escrever mesmo assim. Você trouxe alegria para a minha vida desde o momento em que eu soube da gravidez da mamãe. E sei que este é apenas o começo de uma história de amor que vai durar por todos os meus dias aqui na Terra e depois. Seja bem-vinda e que Deus ilumine o seu caminho. A tia-dinda vai estar sempre com você, viu? Longe ou perto, não importa. É só você chamar que eu estarei lá.
Te amo do fundo do meu coração, Duda! Para sempre.

Dá pra ver que eu tô feliz ou não?

Primeiro bebê recém-nascido que o tio-dindo Danilo pega no colo. Já se apaixonou pela afilhada...

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Minha superirmã

Pessoal, antes de tudo, me descupem pelo sumiço. Minha vida está de cabeça para baixo por um monte de motivos e acabei deixando o blog um pouquinho de lado. Mas vamo que vamo que eu tô de volta!
Estou superansiosa porque minha sobrinha-afilhada-japinha-linda pode nascer a qualquer momento. Já vi a foto do ultrasson 3D dela e é a coisa mais bochechuda do mundo! Não vejo a hora de pegar aquela coisinha no colo e enchê-la de beijos.
Mas, enquanto a Duda não resolve nascer (esperta a minha japinha. Vai querer sair da barriga quentinha pra enfrentar essa confusão aqui fora? Tá certa ela!) queria dedicar este post à minha irmã, a Drica. Primeiro porque ela é minha irmã e eu a amo de paixão. Depois, porque ela está realizando o sonho da vida dela, que é ser mãe, e sonho de irmã é sonho nosso, né? E finalmente, porque eu nunca vi uma grávida tão linda em toda a minha vida. A pessoa engordou só 7,5 kg, meu bem. Não é pra qualquer uma.
Não teve frescurite, cansaço, dor daqui ou dali. Com barriga de oito meses lá estava ela nadando 1000 metros todos os dias. Fala se não é uma guerreira? Um exemplo para todas nós, sedentárias sem vergonha na cara, bóia na barriga e preguiça de sobra.
Drica, você é o máximo! E vai ser uma supermamãe. Força na peruca que a Duda tá chegando! Beeeeeeeeeeijos,

quarta-feira, 7 de abril de 2010

A 25 é a treva!

Não sei por que insisto. Hoje de manhã resolvi ir até a 25 para ver se encontrava um enfeite para usar nos meus cabelos no casamento da minha amiguinha querida Maria Amália. Ela vai se casar no dia 1° de maio (é uma trabalhadora do Brasil, minha gente!) e como sou madrinha e estou com os cabelos curtos, achei que seria bacana comprar uma tiarinha com strass para enfeitar minhas madeixas.
No meu casamento eu também tinha perdido horas na 25 tentando encontrar brincos e enfeites e a busca implacável foi um fracasso. Mas eu não aprendo! Hoje fiz a mesma coisa e ainda levei a pobre da Mimi (a produtora de moda mais fashion e mais fofa que eu conheço) junto comigo. Amigo de verdade é isso aí! Toma chuva com você na 25 e ainda aguenta a sua cara de mau-humor uterino.
No fim das contas, eu, que procurava enfeitinhos de strass, com o perdão do trocadilho, encontrei foi estresse. Os motivos? Vou até enumerar:

1- Não me deixaram experimentar nadinha em nenhuma loja. Como é que eu vou comprar um enfeite de cabelo se não sei se fica bom no meu cabelo?

2- Me senti uma fugitiva da polícia em todos os lugares que entrei. Sempre tinha um mala na porta da loja que ficava me olhando como se, a qualquer momento, eu fosse surrupiar uma fivelinha e colocar na minha bolsa. Menos mal que não tinha nenhuma sacola comigo. A Mimi, que tinha comprado uns badulaques na primeira loja que entramos, teve que lacrar a sacolinha em uma loja e deixá-la com o guarda-sacolinhas-cheias-de-bugingangas em outra.

3- Estava tocando pagode ou sertanejo em todas as lojas. Ninguém merece!

4- Os vendedores são todos, sem exceção, mal-educados, arrogantes e mal-humorados. Afe!

5- Ver gente feia nunca é legal. Ver mais de 5 pessoas feias por metro quadrado estraga o dia de qualquer cristão.

Enfim, não rolou. Aliás, nunca rola. Mas agora que estou mais perto dos 30 parece que baixou de vez a ariana em mim e estou cada vez mais cabeça-dura. Insisto no erro mil vezes pra ver se dá certo. Óbvio que nunca dá. E o resultado é que continuo sem o enfeitinho pro cabelo e vou morrer mais uma vez na lojinha baratex-para-o-padrão-Moema de Moema. Tomara que o strass brilhe por lá.

Meus sinceros agradecimentos à Mimi, a japinha mais brava, mais companheira e mais cuti-cuti do mundo. Desses presentinhos que a vida dá pra gente de quando em vez.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Falando nisso...

Gente, estou lendo um livro ótimo, o Poder S.A, do meu querido amigo Beto Ribeiro. O Beto estudou com a minha irmã no colegial (faz tempo...rs) e os dois viviam grudados. Eu devia ter uns 7, 8 anos quando o conheci. Na verdade, o irmão mais velho dele, o Ricardo, já tinha estudado com o meu irmão. Depois, acabei ficando amiga do irmão mais novo dele também, o Rodrigo, vulgo Sevi, que é um ano mais novo que eu. Enfim, a família inteira se conhece.
Mas vamos ao que interessa. O livro conta histórias baseadas em fatos reais do mundo corporativo. Conversa de bastidor, rádio peão, uma delícia! Todo mundo que já trabalhou em alguma empresa com mais de 2 funcionários vai se divertir muito com as histórias sórdidas que o livro traz.
E estava eu no metrozão vindo pra Globo (eu sou do povo, minha gente!) e cheguei ao capítulo intitulado “Pequenos Poderes”. Achei, no mínimo, irônico, já que meu último post foi exatamente sobre isso. Me identifiquei super e quis dividir alguns trechinhos do livro com vocês. Selecionei só três capítulos. Quem quiser ler o texto todo e as outras histórias também, vai ter que comprar o livro. Amigo é pra essas coisas, né não, Beto?
Então, vamo que vamo. Com vocês, “Pequenos Poderes”!




IV
Eleno chegou com os passos velozes de sempre para dar vida ao seu cargo: chefe-de-almoxerifado-faz-tudo. Subiu direto para o décimo andar e checou se todas as 22 salas de reunião estavam limpas e arrumadas, verificou se a geladeira dos diretores estava com água, com e sem gás, que cada diretor preferia, e se dirigiu à cozinha para ver como estava Grazianne. Com seu olhar de lince, Eleno deu um seco “Bom dia” e pediu para a tímida copeira dar uma “voltinha”, atendido prontamente por Grazianne. Por um segundo o coração de Eleno bateu mais forte de tanta felicidade ao ver um pequeno rasgo da parte traseira da saia da copeira.
- Mo-ci-nha, já disse que você não pode ser desleixada. Olhe esse rasgo! Um absurdo!!! – e seu olhar achou outro erro fatal. Nesse instante ele se dirige a pia e constata que as frutas que o presidente pediria dali a duas horas não estavam lavadas, cortadas e geladas.
- E ainda por cima não fez o seu serviço!!! Quer moleza, Mocinha?
Ela não conseguia responder, a voz tremia, como todo seu corpo.
- Desculpe, Seu Eleno, eu vou me trocar agora mesmo e arrumar as frutas.
Eleno deu um pequeno sorriso e concluiu a conversa:
- Não aguento mais suas desculpas. Vá se trocar já! E arrume essas frutas agora! Mais uma falha grande como essa... – Ele não terminou a frase. Não precisaria. Grazianne entendeu perfeitamente, apesar de ter estudado somente até a segunda série do primeiro grau e só saber escrever seu nome e o do namorado.
Quando Eleno saiu da cozinha, Grazianne pôde relaxar um pouco as pernas. Não chorou, não dava tempo... Ela tinha de correr para o banheiro, trocar de roupa e limpar o chão. Eleno não viu, mas Grazianne tinha feito xixi na saia.

VI

No corredor, Eleno viu ao longe o diretor comercial chegando. Seu personagem mudou, seu andar ficou mais lento, os barulhos das chaves batendo diminuiu.
- Bom dia, dr. Lázaro – sorriu Eleno com todo o corpo redesenhado, dando um ar de subalterno-manso.
- Bom dia – respondeu o diretor em voz baixa, sem tirar os olhos do jornal que levava nas mãos. A manchete da Folha de S. Paulo daria uma prévia do humor daquele homem durante todo o dia: Flamengo 1 x Corinthians 4. Lázaro, além de carioca morador de São Paulo, era flamenguista. Roxo-vermelho.

IX
Eleno desce do 11º andar frustrado. Matilda não tinha feito nada de errado, a roupa estava ajustada, as frutas prontas para o diretor de RI e financeiro, as águas estrategicamente colocadas nas oito salas de reunião. O máximo que Eleno conseguiu foi dar um toque na mocinha:
- É bom que seja assim todos os dias... – Ele desce para o décimo andar pelas escadas. Acha que chega mais rápido assim.
Ao chegar ao corredor de sua mesa, Eleno praticamente desfalece. O sr. Herbert Pereira está vindo em sua direção e, como um súdito, Eleno faz reverência ao presidente-dono-imperador da Sidar. O sr. Herbert dá um leve sorriso e passa falando:
- Como vai o nosso mais importante funcionário? – Eleno responde, rindo com todo o corpo, como um boneco de borracharia, daqueles que ficam loucos com o vento:
- Bem, sr. Herbert, muito bem! – mas o velho já está longe, não ouve. Eleno jamais saberá que aquela pergunta está mais para escárnio do que para elogio. Aquele encontro transforma o dia do “Faz-tudo”. Ele decide que nada poderá sair errado na Sidar naquela quarta-feira. Imediatamente, dá meia-volta e sobre para o 11º andar, para retomar o martírio das copeiras. Depois de Matilda, serão as vezes de Grazianne e Dayse.

terça-feira, 23 de março de 2010

Ah, os pequenos poderes...

Estou para fazer trinta anos e uma das minhas metas para essa nova fase da minha vida é buscar a resignação. Aceitar as coisas que me acontecem da forma como elas vêm é sinal de sabedoria e, com certeza, um sinal de evolução espiritual. Aceitar as pessoas como elas são também. O problema é que, ao que tudo indica, não sou tão evoluída assim. Meu espírito ainda está bem atrasadinho e, sim, eu ainda fico indignada com uma série de coisas. Um exemplo: os pequenos poderes...
Manja o porteiro que te vê todos os dias na empresa e não te deixa subir se você não mostrar o crachá? Pois é. Eu sei que o cara está cumprindo a função dele (cumprindo ordens, como eles adoram dizer. Aliás, esse é mais um jeito "sutil" de jogar na sua cara que alguém MUITO ACIMA DE VOCÊ, SEU RELES FUNCIONÁRIO, deu ordem para não deixar ninguém subir sem o crachá) mas vamos combinar que se dá pra facilitar, pra que complicar?
E segurança de banco? Diz pra mim se o indivíduo precisa olhar pra todo mundo com cara de cú. Não, não precisa. Mas normalmente é assim. Aqui na Globo tenho certeza de que é pré-requisito. Consegue passar o dia de cara amarrada? Tá contratado. E se puder atrapalhar a vida de quem está na fila ganha estrelinha, hein!
Resolvi escrever sobre isso porque ontem rolou um estressezinho básico – que não vou contar aqui – e parei para pensar em várias situações em que as pessoas usam os pequenos poderes para dificultar a vida dos outros. Funciona assim: quanto menor o cargo, mais nego quer provar que manda. Fala não sem nem saber se o que você está pedindo é possível, só pra não perder o costume. Ódio uterino!
Que nem o porteiro do outro prédio que eu morei. Chegamos com a mudança, tínhamos a chave do apartamento, estava chovendo torrencialmente. Acredita que o mané não deixou a gente entrar? Falou que precisávamos de uma autorização da imobiliária. Poxa, nós já tínhamos até recebido os móveis lá, custava ser razoável? Mas não, aquele era o único momento em que ele poderia mandar, exercer seu poder.
Mesma coisa com o síndico (aliás, naquele prédio só tinha gente fina, viu? Vou te contar!). Nossa, como infernizou a nossa vida. Falamos um pouquinho mais alto depois das 22h e o todo poderoso multou sem nem mandar aviso. Tomou um cala boca daqueles quando informamos a administradora que o nosso advogado entraria em contato. Mas, até lá, maior estresse, né?
Sei que no fundo eu deveria ter dó de gente assim, ser superior. Mas eu não consigo. Fico indignada toda vez que alguém dificulta a vida dos outros só para mostrar que pode mais. Não dá pra deixar pra lá. Trinta anos ainda não foram suficientes para me ensinar a não me deixar atingir. Talvez nos próximos trinta eu aprenda. De verdade? Acho que só na outra encarnação.

quinta-feira, 18 de março de 2010

De volta a Paris

Já disse aqui que Paris é minha cidade favorita no mundo inteiro? Pois é, vivo uma história de amor com a capital francesa desde a primeira vez que pisei lá. Tem lugar mais charmoso e romântico? Não, não tem. E a Cidade Luz ficou ainda mais especial para mim porque foi lá que o Danilo pediu a minha mão. Desculpa, gente, sou chique! Hahahaha
Já faz dois anos e pouco que estive lá pela última vez e vira e mexe bate uma saudade... Então, quando recebi o convite para conhecer um bistrô novo nos Jardins, não pensei duas vezes. Gente, que delícia! O lugar é supercharmoso, fica no final de uma vilinha, bem ao estilo parisiense, só que na Augusta! Eu passei batido de tão escondidinho. Mas foi só entrar lá para me sentir em um autêntico bistrô francês.


Olha só que aconchegante a Petite Salle do bistrô

Eu comi um menu especial, porque era um evento para a imprensa. Salada verde com queijo brie de entrada, confit de pato com purê de castanhas como prato principal e crème brulée de sobremesa. Magnific! Isso tudo regado a bons vinhos e ao sotaque gostoso do proprietário, Pierre, que se casou com uma brasileira e resolveu montar o restaurante por aqui. Ele – que fica o tempo todo no salão conversando com os clientes como se fossem velhos amigos (mais um ponto positivo!) – contou pra gente que a proposta do restaurante é servir pratos tipicamente franceses em um ambiente que lembre o bairro de Montmartre (com acordeon e tudo!) e a preços acessíveis. Missão cumprida!
Durante a semana, no almoço, o Prato do Dia custa R$ 19,00 (bem melhor que gastar R$ 14,00 no McDonald’s, diz aí?) e o Menu Executivo, com entrada, prato principal e sobremesa, sai por R$ 29,00. Honestíssimo. De noite e aos fins de semana, vale o menu a la carte. Mas dei uma sapeada e os preços são superok também.
Olha, saí de lá com o estômago feliz da vida e com o coração aquecido por ter passado algumas horas em um pedacinho de Paris aqui em São Paulo. E de quebra o segurança ultrafofo ainda me acompanhou até o carro para eu não andar sozinha na rua escura. Cavalheirismo parisiense, minha gente! rs
E não, eu não estou ganhando nada por divulgar o bistrô. Mas acho que todo mundo, mesmo quem nunca foi a Paris, deveria curtir a oportunidade de saborear delícias francesas em um cantinho assim especial.

Terracinho super romântico. Certeza que volto lá com o Dan


OLHA O SERVIÇÃO:
Bistro Crêpe de Paris
Rua Augusta, 2542 (entre as alamedas Lorena e Tietê)
Tel: (11) 3063-1675
Aberto todos os dias das 12h00 à 01h00, exceto domingo e segunda à noite.
80 lugares
Rede Wi-Fi
Serviço de vallet à noite na porta da Vila
Espaço ao ar livre para fumantes no terraço
Segurança 24 horas
Aceita todos os cartões de crédito

sexta-feira, 12 de março de 2010

Não, não muda nada

Acho engraçado o valor que as pessoas dão para um pedaço de papel. Antes de casar com o Danilo, moramos juntos por um ano e alguns meses. Nessa fase, os palpiteiros de plantão fizeram as reflexões mais profundas sobre juntar as escovas de dentes. “Ah, depois que moram juntos os caras não casam, não. Pode esquecer.”; “Você vai ver, o tempo passa, vocês se acomodam, e você nunca vai casar de noiva. Com a minha amiga fulana foi assim.” Enfim, por mais que eu e o Danilo tivéssemos planos concretos de fazer uma festa de casamento, uma galera não botava a menor fé.
Marcamos a data e aí começaram as observações a respeito de assinar o tal papel. Ouvi barbaridades de todo tipo. Me disseram que depois casar os homens não ajudam com mais nada, passam o dia sentados no sofá tomando cerveja e dando ordens; que o peso da responsabilidade de casar no papel (Oi???) esfria a relação; que eu faria menos sexo, ficaria menos vaidosa e engordaria vários quilos depois de casar de verdade... Entre outras pérolas da sabedoria popular.
Foram incontáveis as vezes em que me perguntaram, dias antes do casório, se eu não estava com medo da responsabilidade. Medo de quê? Eu já não era casada? Não, faltava o papel... Ai, que preguiça!
Bom, fato é que agora todo mundo que me encontra pergunta como está a vida de casada. Claro que é com a melhor das intenções, querem realmente saber como eu estou. E sempre tem alguém que me pergunta: “E aí, mudou alguma coisa?”
Não, gente, não muda nada! O papel, como o nome já diz, é só um pedaço de papel. Não muda o que a gente sente, não pesa, não faz a menor diferença. Eu casei de noiva e fiz festa porque sonhei a vida toda com isso e queria dividir minha alegria de ter encontrado o amor da minha vida com as pessoas que são importantes pra mim. E assinar o papel veio no pacote-casório, nada mais.
Estar casado é dividir a vida com alguém, ser companheiro, encarar as adversidades e lutar junto para alcançar os sonhos comuns e os individuais também. O resto, se não for sonho – como no nosso caso – é bobagem.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Minha vingança será maligna!

Rá! Deu bug no PlayStation 3! O bichinho parou de funcionar, minha gente. Pifou, morreu, escafedeu-se. E nem foi preciso eu executar meu plano mirabolante e infalível de unir as esposas de todo o mundo para destruir os Play 3 dos maridos (menos o daquela falsa fura-olho de quem você sempre quis se vingar e nunca teve oportunidade), vizinhos e até os que ainda estão a venda, sem deixar rastros.
Eu estava prestes a convocar todas as mulheres – balzacas ou não – que, assim como eu, acham que o Play 3 é coisa do demo e, portanto, precisa ser exorcizado e queimado vivo, quando soube da notícia. Sério, esse videogame tem poderes sobrenaturais de dominar por completo a mente dos homens. Os sintomas da possessão são olhos esbugalhados e vidrados na tevê, dedos que se movimentam freneticamente, sem parar, e surdez temporária, especialmente no que se refere à compreensão de toda e qualquer voz feminina.
Sim, se você tem um marido em casa que possui o brinquedo satânico ou tem amigos que fizeram esse pacto com o coisa ruim e tentam desesperadamente levá-lo para o lado negro da força, sabe do que estou falando. Mas seu martírio acabou, minha amiga. Nossas rezas funcionaram e, finalmente, o Play 3 teve o que merece. Videogame rouba-maridos de uma figa! O Danilo ainda não tem, mas se Deus quiser esse bug vai ser eterno e ele nunca vai conseguir comprar.
Ouvi dizer que tem uns modelos aí que ainda não foram afetados. Mas não deixe de lutar, minha cara! Mentalize, acenda velas para o seu santo protetor, prometa ir a Aparecida de joelhos se o Play 3 desaparecer completamente do mapa. A felicidade do seu casamento depende disso. E os encontros e viagens de casais em que homens e mulheres se divertem JUNTOS também. Conto com a sua colaboração.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

...

Hoje faz quatro anos. Para você, que iluminou a minha vida de maneiras que nunca imaginei possíveis, aquele nosso soneto. Te amo.

Soneto XVII
No te amo como si fueras rosa de sal, topacio
o flecha de claveles que propagan el fuego:
te amo como se aman ciertas cosas oscuras,
secretamente, entre la sombra y el alma.


Te amo como la planta que no florece y lleva
dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores,
y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo
el apretado aroma que ascendió de la tierra.


Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,
te amo directamente sin problemas ni orgullo:
así te amo porque no sé amar de otra manera,


sino así de este modo en que no soy ni eres,
tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,
tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.
Pablo Neruda, 1959

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Estragada

Um chope e três long necks. Foi essa a mistura explosiva que me deixou embriagada no sábado à noite. Oi??? Um litro de cerveja e a pessoa aqui dormiu já no banco do carro. Isso porque cheguei na balada às 22h e fui embora às 2h. Ou seja, horário de velha, concorda? Não era para estar com sono.
Só sei que ontem de manhã acordei em um estadinho que me lembrou os porres que eu tomava na faculdade, quando eu bebia vodca Roskof no gargalo (tá aí a minha amiga Mandy que não me deixa mentir). E agora, um mísero litrinho de cerveja me deixou derrubada de um jeito que parecia que eu tinha sido atropelada por um trem-bala.
Fora a dor de cabeça, né? Uma enxaqueca dos infernos que perdurou o dia todo e que não me deixou dormir essa noite inteirinha. Dá pra acreditar numa coisa dessas? A pessoa toma umas cervejinhas pra comemorar os 30 anos de um amigo (que, by the way, bebe que nem o Mussum e nunquinha reclama de porre nenhum – mais uma prova de que a idade é mais cruel com as mulheres) e passa o domingo inteiro mais a madrugada da segunda em estado de calamidade pública. Francamente!
Mais uma vez eu repeti pra mim mesma a célebre frase “nunca mais eu vou beber”. Mas agora acho que realmente devo começar a considerar cumprir a promessa... Ai, que depressão!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Que solidão, que nada!

Finalmente consegui assistir Amor Sem Escalas e amei! Adorei o roteiro, a mensagem, o final triste (tenho uma bronca de filminho água com açúcar de final previsível...). E, claro, depois fiquei pensando na vida, na minha vida. E lembrei de como, há alguns anos, eu achei que nunca encontraria alguém com quem dividi-la. Estava desiludida, tinha parado de acreditar nas pessoas (não sem motivo, é bom deixar claro), e realmente cheguei a pensar que talvez a solidão fosse a melhor companhia pra mim. Quem não se envolve evita sofrimentos, certo?
Claro que toda essa convicção caiu por terra alguns meses depois (graças à minha querida terapeuta, Maria Helena, que me abriu os olhos para o mundo), quando me apaixonei perdidamente e irremediavelmente.
Mas, enfim, fato é que o filme me fez não só lembrar do passado, mas também valorizar ainda mais a minha casa, a minha cidade, os meus amigos, o meu marido e a nossa família. Sem eles, nada faz sentido, nada vale a pena.
A solidão não é pra mim, sabe? Eu não quero esvaziar a minha mochila eliminando as pessoas e as responsabilidades, como sugeria no filme o personagem do George Clooney em suas palestras motivacionais (motivação bizarra, mas beleza). Não quero diminuir o peso sobre as minhas costas. Pelo contrário, eu quero essa mochila cada vez mais cheia: de gente, de sentimentos, de conquistas, de comprometimento. Eu quero ter amarras, vínculos, chão.
Para mim, não existe felicidade se eu não puder dividir os bons momentos com as pessoas que amo. É isso, eu quero amar até o fim dos meus dias. Quero estar bem acompanhada. Mesmo que o sofrimento venha no pacote.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Uma história de Carnaval

Opa, o Carnaval tá aí de novo, minha gente! Meu último Carnaval antes dos 30! E como recordar é viver – e a correria me impede de escrever algo novo sobre o feriado que me trouxe a maior alegria da minha vida – vou dar uma de cara de pau e republicar um texto que escrevi no ano passado no meu blog de casamento. Quem não leu, vai ler agora. E quem já leu? Ah, quem já leu vai ler de novo, oras! A história é boa, prometo.

A cantada furada que rendeu...
Nem todos vocês conhecem a célebre cantada furada que quase arruinou nosso relacionamento antes mesmo de ele começar. O cenário já não era muito favorável: vodca, cerveja, Carnaval, vodca, cerveja, amigos de infância e adolescência por todos os lados, mais vodca e mais cerveja...
Ok, ok, nada disso é desculpa. Afinal, eu estava 100% sóbria quando resolvi paquerar o moreno de olhos verdes (é, talvez não estivesse tão sóbria assim. Jurava que ele tinha olhos verdes!) gatinho que eu nunca tinha visto e que, Deus é Pai!, não era meu amigo nos tempos em que eu tinha a cara cheia de espinhas e andava por aí desfilando meu corpinho esguio no melhor estilo nadadora (nada de frente, nada de costas).
Enfim, já tinha balançado o esqueleto na primeira noite de folia e nem o álcool foi capaz de embelezar aquele povo de Capitólio (cidade mineira a mais ou menos sete horas de São Paulo). Parecia que tinham aberto as portas do inferno! Quanta gente feia, meu Pai!
Tudo isso para legitimar a minha ousadia de paquerar o moço que eu achei o mais bonito da casa e que, por sorte, estava solteiro! Tá, tá, sei que sou meio sem noção mesmo e que nada justifica os foras consecutivos que eu dei. Mas e daí? Era Carnaval, minha gente!
E eu já estava prestes a aceitar o destino de quatro dias de solidão quando a Marian, que me conhece desde muito pequerrucha, me mostrou o “Nego” na piscina. Disse que ele poderia ser uma alternativa para alegrar o meu feriado. Fingi que não tinha me interessado muito, mas por dentro pensei: “Opa, ainda há uma esperança!”
Resolvi investir. No dia seguinte, fui à cozinha para tomar café e ele estava lá, sozinho, comendo um sanduíche. Quer dizer, a Nath estava lá também, cozinhando. Achei que ela nem fosse notar a minha presença e agarrei a minha chance. Ataquei: “Oiiiii, você eu não conheço!” Era a crônica de uma morte anunciada. Isso é jeito de começar uma conversa? Ele só levantou os olhos, como quem diz: “Grande coisa”. E continuou comendo. Mas vocês pensam que eu me intimidei? “Qual o seu nome?”, perguntei. “Danilo”, ele respondeu, sem esboçar nem um sorrisinho. E daí eu mandei o golpe fatal (contra mim mesma, claro!): “Nossa, a gente é xará!”. E ele, nada simpático: “Por que, seu nome é Danila?”. “Não... é Daniele”, respondi, já meio borocoxô. “Então, você não é minha xará!”. E acabou o assunto. Curto e grosso. Eu, claro, não sabia onde enfiar a minha cara de pau.
Fiquei puta, lógico. Tudo bem que o xaveco foi horrível, mas não precisava falar comigo daquele jeito. Jurei que nunca mais ia ficar com aquele mal-educado, nem que ele ajoelhasse e implorasse meu perdão. Mas, vocês sabem, era Carnaval, tinha vodca, cerveja...
Mais tarde, naquele mesmo dia, ele chegou todo simpático, trazendo o violão. Sentou ao meu lado numa muretinha e começou a tocar. Ah, eu me derreti toda, né? Além de lindo, ele tocava violão! Alguns segundos depois eu nem lembrava mais da desfeita da hora do café.
O resto todo mundo já sabe. A gente ficou naquela noite e não nos separamos mais. Não lembro exatamente quando, mas naquele feriado mesmo perguntei a ele por que tinha sido tão grosseiro. Ele negou a grosseria, claro (nega até hoje, mas a Nath estava lá de prova!), e disse que achou que eu tinha namorado... Acuma? E o namorado seria o Marquinhos!!! Como assim, cara-pálida?
Foi aí que caiu a ficha. Pra quem não conhece, o Marquinhos (cujo apelido de infância não vou divulgar aqui, para preservar a minha integridade física) é meu amigo desde a 4a série. É como se fosse meu irmão (pentelho igual, inclusive). Bom, nós dois estávamos solteiros naquele Carnaval e levamos colchões infláveis de casal para dormir na casa, porque eram os únicos que nós tínhamos. Só que tinha uns 30 negos numa casa de dois quartos e os colchões não couberam. Apenas um, de casal. Como somos superamigos, dormimos no mesmo colchão, o que ninguém achou estranho. Só o Danilo, porque não nos conhecia.
Quando eu joguei todo o meu charme pra cima dele, o Dan ficou puto, lógico. Achou que eu estava dando em cima dele com o meu namorado ali do lado, na piscina. Depois, à tarde, alguém falou pra ele de mim na sauna e só aí descobriu que eu não namorava. Valeu, Cadu! Você suspeitou desde o princípio, né? E você, Marquinhos, por culpa sua quase que eu não caso!!! rsrsrs

Nossa, já faz quatro anos. Nem vi o tempo passar...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Cadê o meu muque?

Gente do céu, que dor no braço. Acordei que não conseguia nem me mexer. Estranho... Demorei um pouco para perceber o que poderia ter causado essa sensação de tendinite aguda (se é que isso existe), mas lembrei. Antes que alguém pense que a dor é resultado de uma noite de estripulias, explico: a culpa é da minha vocação nata para a maternidade. Desculpem, mas não posso evitar. Nasci pra isso, é um dom! hahaha
Fato é que a minha querida amiga Dani Torres (Ela tem um blog delicioso: http://mdemulher.abril.com.br/blogs/mae-de-primeira-viagem/) estava exausta tentando fazer a Bella – sua filhinha de 1 ano e pouco – dormir e eu me candidatei para a missão. Não é que deu certo? Demorou um pouquinho, mas logo a pequerrucha estava capotada no meu colo. Foi tão gostoso ficar cuidando dela que nem me dei conta de quanto a pirulita é pesada. Tá com quase 10 kg! Na hora nem senti nada, mas hoje veio a dor no braço...
Ficou claro que estou completamente fora de forma (como se eu já não soubesse...) e que, antes de pensar em ter meu próprio barrigão, preciso voltar pra academia urgentemente! (Olha aí mais um motivo para adiar a concepção!). Sério, além da falta de músculos nos braços pra aguentar o peso, tenho hérnia de disco, três bicos de papagaio (já faz tempo, viu? Não tem nada a ver com a idade) e uma barriga que precisa de muitos abdominais para segurar o tranco. Ou seja: academia now!
E pensar que eu tinha o tríceps tão definido... Triste, muito triste...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Momento devaneio

Já reparou como tem pessoas que parece que vieram ao mundo a passeio? Tudo dá certo para elas, as coisas fluem naturalmente, não há nada que não possam conquistar com 0 % de esforço. São pessoas bonitas, inteligentes, ricas e felizes, que por algum motivo foram abençoadas com uma vida em que não há lugar para sofrimento de espécie alguma. Todo mundo diz que ninguém é 100 % feliz, mas, com o passar dos anos, tenho notado que existem, sim, algumas pessoas aparentemente merecedoras de passar por essa existência sem sofrer nenhum arranhão.
Mas desde muito pequena sempre me questionei sobre o porquê de algumas pessoas serem tão abençoadas (só pra deixar registrado, apesar de não ter uma vida 100% perfeita, me considero abençoada e muito sortuda!) enquanto outras sofrem tanto. Aliás, foi esse o motivo que me fez deixar de ser católica aos 11 anos, em uma aula de catecismo, vejam vocês que ironia. Perguntei à professora por que um bebê nasce perfeito e outro nasce cego ou com alguma deficiência física. E a resposta não foi nada esclarecedora, mesmo para uma pré-adolescente tão inexperiente. “Eles estão pagando pelos pecados dos pais, minha filha”, ela disse.
Lembro direitinho, como se fosse hoje, que pensei comigo: que Deus é esse que pune uma criança inocente pelos pecados dos pais? Àquele ponto, eu tinha duas alternativas: ou aceitava a ideia de um Deus mau, impiedoso e injusto, para o qual não valeria a pena dedicar minhas preces; ou ignorava a baboseira da tal professora de catecismo e continuava a acreditar no meu Deus, o Deus que perdoa, que ajuda, que dá segundas chances.
Eu criei a minha fé e me apego nela para não desmoronar nos momentos de angústia. Eu sei que existe um Deus, uma força ou seja lá qual for o seu nome que olha por mim e por todos, que guia e auxilia. E eu sei que mesmo nas situações que parecem sem saída, em que nos sentimos sozinhos e desamparados, Ele está nos carregando no colo.
Ainda não encontrei a resposta para o motivo pelo qual temos que passar por maus pedaços, mas acredito de verdade que deve haver algum plano divino para nós e que tudo é parte da nossa missão aqui na Terra. Alguns estão aqui para receber mais, outros para doar mais, mas todos nós precisamos aprender alguma coisa. Para alguns, esse aprendizado é mais leve – ou menos necessário – e, para outros, infelizmente, chega a duras penas. A vida é assim, fazer o quê? O jeito é rezar pra dar tudo certo e acreditar que para Deus, nada é impossível. Eu acredito. E no dia de hoje, especialmente, com todas as minhas forças.

O Dia da Participação Especial se mostrou um fiasco e, portanto, só vai rolar quando eu receber algum textinho das minhas amigas lindas e super requisitadas. Enquanto isso, eu mesma faço minha participação especial por aqui... rs

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Dia da Participação Especial

Minhas amiguinhas balzacas andam muito atarefadas, então, as adesões ao Dia da Participação Especial andam meio escassas. Mas como eu sou brasileira e não desisto nunca, encontrei uma alternativa para o problema. Resolvi publicar um capítulo do livro Comer Rezar Amar, que tem sido meu fiel companheiro há umas duas semanas e que toda mulher – especialmente na faixa dos 30 – deveria ler. Já que minhas amigas não estão com tempo pra colaborar com o blog (o que eu superentendo, quero deixar bem claro), conto com a ajuda da Elizabeth Gilbert, a “Liz”, autora do livro.
Com 31 anos, ela estava casada, tinha a minha tão sonhada casa com jardim e, diferentemente da maioria das mulheres nessa fase, não queria filhos. Aliás, nem queria estar casada. Escolhi o segundo capítulo, em que ela se dá conta de que, apesar de ter tudo que qualquer mulher poderia querer, está extremamente infeliz e sente-se culpada por não vibrar com a ideia de uma casa barulhenta e cheia de crianças.
Mulher é um bicho complicado, né? Ainda mais as balzaquianas. Quem está solteira fica desesperada para casar e ter filhos. E a Liz, cuja vida seguiu perfeitamente o cronograma do que para muitas de nós seria a imagem cristalina da felicidade, só queria ser livre e desimpedida. Vai entender... Acho que, de verdade mesmo, nós nunca estamos satisfeitas. Não aos 30. É uma fase turbulenta e ponto. Mas, pelo menos, não estamos sós na angústia da incerteza. Como eu e você, há muitas outras balzaquianas confusas e cheias de dúvidas por aí, né verdade?
Aproveitem esse trechinho de Comer Rezar Amar. Acho que muita gente vai correr até a livraria para saber como essa busca por todas as coisas da vida vai acabar. Eu estou devorando cada palavra. Espero que vocês gostem!



2

   E uma vez que já estou ali ajoelhada no chão em posição de súplica, deixem-me manter essa posição enquanto viajo no tempo até três anos atrás, até o instante em que toda esta história começou – um instante que também me encontrou nessa mesma exata posição: de joelhos, no chão, rezando.
   No entanto, tudo o mais em relação à cena de três anos atrás era diferente. Daquela vez eu não estava em Roma, mas sim no banheiro do andar de cima da grande casa no subúrbio de Nova York que eu acabara de comprar com meu marido. Eram mais ou menos três horas da manhã de um novembro gelado. Meu marido dormia na nossa cama. Eu estava escondida no banheiro pelo que deveria ser a 47a noite consecutiva, e – como em todas aquelas outras noites – estava soluçando. Soluçando com tanta força, na verdade, que uma grande poça de lágrimas e muco se espalhava à minha frente sobre os ladrilhos do banheiro, um verdadeiro lago formado por toda minha vergonha, medo, confusão e dor.
   Eu não quero mais estar casada.
   Eu estava tentando tanto não saber isso, mas a verdade continuava
a insistir.
   Eu não quero mais estar casada. Não quero morar nesta casa grande.
Não quero ter um filho.
   Mas todos esperavam que eu quisesse ter um filho. Eu estava com 31 anos. Meu marido e eu – estávamos juntos havia oito anos, sendo seis casados – havíamos construído nossa vida inteira com base na expectativa comum de que, uma vez superada a avançada marca dos 30 anos, eu iria querer sossegar e ter filhos. Ambos esperávamos que, a essa altura, eu já tivesse me cansado de viajar e fosse ficar feliz em morar em uma casa grande e barulhenta, cheia de crianças e de colchas feitas a mão, com um jardim nos fundos e um reconfortante ensopado borbulhando em cima do fogão. (O fato de esse ser um retrato bastante fiel da minha mãe é um indicador rápido de como antigamente era difícil para mim perceber a diferença entre eu mesma e a poderosa mulher que havia me criado.) Mas eu não queria nenhuma dessas coisas – e estava arrasada por estar me dando conta disso. Pelo contrário: meus 20 anos haviam chegado ao fim, aquele prazo final dos 30 havia se abatido sobre mim como uma sentença de morte, e eu descobri que não queria engravidar. Continuava esperando querer ter um filho, mas isso não acontecia. E eu conheço a sensação de querer alguma coisa, podem acreditar. Sei muito bem o que é desejo. Mas esse desejo não existia. Além do mais, eu não conseguia parar de pensar no que minha irmã tinha me dito certo dia, enquanto amamentava seu primogênito: “Ter um filho é como fazer uma tatuagem na cara. Você precisa realmente ter certeza de que é isso que você quer antes de se comprometer.”
   Mas como eu poderia voltar atrás agora? Tudo estava no lugar certo. Supostamente, aquele deveria ser o ano. Na verdade, já vínhamos tentando engravidar havia alguns meses. Mas nada tinha acontecido (exceto pelo fato de – em um arremedo quase sarcástico de uma gravidez – eu estar tendo enjôos matinais psicossomáticos e vomitando meu café-da-manhã todos os dias, aflita). E todo mês, quando eu ficava menstruada, via-me sussurrando furtivamente no banheiro: Obrigada,obrigada, obrigada, obrigada por me dar mais um mês de vida.
   Eu vinha tentando me convencer de que isso era normal. Todas as mulheres devem se sentir assim quando estão tentando engravidar, concluí. (“Ambivalente” foi a palavra que usei, evitando a descrição muito mais exata: “inteiramente dominada pelo pânico”.) Vinha tentando me convencer de que os meus sentimentos eram comuns, apesar de todas as provas em contrário – como a conhecida com quem eu havia esbarrado na semana anterior, que acabara de descobrir que estava grávida do primeiro filho depois de gastar dois anos e rios de dinheiro em tratamentos de fertilidade. Ela estava em êxtase. Sempre desejara ser mãe, disse-me. Admitiu que vinha comprando roupinhas de bebê secretamente havia anos, e escondendo-as debaixo da cama, onde seu marido não as encontraria. Vi a alegria em seu rosto e a reconheci. Era uma alegria idêntica à que meu próprio rosto havia irradiado na primavera anterior, no dia em que descobri que a revista para a qual eu trabalhava iria me mandar para a Nova Zelândia para escrever um artigo sobre a busca por uma lula gigante. E pensei: “Até o dia em que eu conseguir sentir o mesmo êxtase em relação a ter um filho que senti em relação a ir para a Nova Zelândia atrás de uma lula gigante, não posso ter um filho.”
   Eu não quero mais estar casada.
   Durante o dia, eu recusava essa idéia, mas à noite ela me consumia. Que catástrofe. Como eu podia ser uma imbecil criminosa a ponto de ir tão fundo em um casamento para no final me separar? Havíamos acabado de comprar aquela casa, um ano antes. Eu não tinha desejado aquela bela casa? Não tinha adorado aquela casa? Então, por que agora passava as noites assombrando seus corredores, uivando como Medéia? Eu não sentia orgulho de tudo o que havíamos acumulado – a elegante casa em Hudson Valley, o apartamento em Manhattan, as oito linhas telefônicas, os amigos, os piqueniques e as festas, os finais de semana percorrendo as gôndolas da hiperloja em forma de caixote preferida, comprando ainda mais aparelhos a crédito? Eu havia participado ativamente de cada instante da criação daquela vida – então, por que sentia que nada daquilo combinava comigo? Por que me sentia tão soterrada pelo dever, cansada de ser o arrimo do casal, a dona de casa, a coordenadora de eventos sociais, a que levava o cachorro para passear, a esposa e a futura mãe, e – em alguns poucos instantes roubados – a escritora…?
   Eu não quero mais estar casada.
   Meu marido dormia no quarto ao lado, na nossa cama. Eu o amava e não conseguia suportá-lo, em igual medida. Não podia acordá-lo para fazê-lo compartilhar o meu desespero – de que adiantaria? Já fazia meses que ele me via desmoronar, acompanhando meu comportamento de louca (ambos concordávamos com essa definição), e eu só o exauria. Ambos sabíamos que havia alguma coisa errada comigo, e ele estava perdendo a paciência com isso. Brigávamos e chorávamos muito, e estávamos cansados daquele jeito que só um casal cujo casamento está acabando pode ficar. Nossos olhos pareciam olhos de refugiados.
   Os muitos motivos pelos quais eu não queria mais estar casada com aquele homem são pessoais demais e tristes demais para serem compartilhados aqui. Muitos deles tinham a ver com coisas minhas, mas uma boa parte dos nossos problemas tinha a ver também com as questões dele. Isso é natural; afinal de contas, há sempre duas pessoas em um casamento – dois votos, duas opiniões, dois conjuntos conflitantes de decisões, desejos e limitações. Mas não considero adequado discutir as questões dele no meu livro. Tampouco pediria a alguém para acreditar que sou capaz de relatar uma versão imparcial da nossa história, portanto, a crônica do fim do nosso casamento não será contada aqui. Também não discutirei aqui todos os motivos pelos quais eu ainda queria ficar casada com ele, nem todas as suas características maravilhosas, nem os motivos que me fizeram amá-lo e me casar com ele, nem os motivos pelos quais eu era incapaz de imaginar a vida sem ele. Não vou abrir nenhuma dessas gavetas. Basta dizer que, naquela noite, ele ainda era, em igual medida, meu farol e minha ave de mau agouro. A única coisa mais inconcebível do que ir embora era ficar; a única coisa mais impossível do que ficar era ir embora. Eu não queria destruir nada nem ninguém. Só queria sair de fininho pela porta dos fundos, sem causar alvoroço nem conseqüências, e depois só parar de correr quando chegasse à Groenlândia.
   Sei que essa parte da minha história não é uma parte feliz. Mas eu a estou compartilhando aqui porque alguma coisa estava prestes a acontecer naquele chão de banheiro que iria mudar para sempre o curso da minha vida – quase como um daqueles superacontecimentos astronômicos malucos, quando um planeta gira no espaço sideral sem nenhum motivo, e seu núcleo incandescente se modifica, reposicionando seus pólos e alterando radicalmente seu formato, de tal modo que a massa inteira do planeta se torna subitamente oblonga em vez de esférica. Alguma coisa assim.
   O que aconteceu foi que comecei a rezar.
   Rezar, sabem – tipo para Deus.